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Data da última atualização: 12 de outubro de 2004
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EDITORIAL

 

UM OLHO NA BOLA, OUTRO NA BELA

Antes de ler, é bom que os amigos saibam:

1- Considero a Ana Paula a melhor bandeirinha do Brasil, em todos os aspectos.

2- Considero o Inter o melhor clube do Brasil. Não em todos os aspectos.

3- Considero futebol, mulher e rock’n’roll a trindade máxima da vida humana. (Como assim?! E o cinema?)

Ser torcedor do Inter sempre foi um orgulho inigualável, a despeito de eu fazer parte de uma geração que só viu a conquista da Copa do Brasil de 1992 e um ótimo desempenho no Brasileirão de 97 como momentos expressivos a nível nacional. Apesar das frustrações e decepções, encho a boca com prazer para dizer que sou colorado. Isso se dá, em parte, pelo fato de que o Inter é, na minha consciência, muito mais do que um time de futebol. Os resultados não são o mais importante na vida deste colorado, e de muitos outros, imagino. O Inter é um ente, um astral, uma música, um modo de viver. Se, por um lado, não temos um grande cartel de títulos recentes, temos a certeza de que o Inter é um clube muito simpático e receptivo, o clube do povo do Rio Grande do Sul, como diz o nosso hino.

Nesse sentido, a vida de um colorado não fica restrita às quatro linhas. Temos orgulho de nosso desempenho extra-campo, de nossa relação e comunicação com tudo que vai além do futebol.

O último fato ocorrido que me fez vibrar o coração colorado foi a recepção de nossa calorosa torcida à bandeirinha Ana Paula da Silva, musa dos campos que encantou o Beira Rio no jogo contra o Cruzeiro, dia 10 de outubro. Lamentavelmente, perdi a oportunidade de fazer parte daquela massa vermelha que teve o privilégio de vê-la em tão bela carne e osso. Mas a excitação em ver Ana Paula sendo acolhida tão atenciosamente - e correspondendo igualmente – pela massa colorada, mesmo que pela TV, me trouxe à tona aquele orgulho do qual falava no início do texto. O êxtase apoteótico veio após o jogo, não só pelo resultado de 3 a 1 contra os mineiros azuis, mas, principalmente, pela entrevista concedida à reportagem da Band AM. Quando interrogada, já no seu vestiário, a respeito da empolgante recepção que teve, a paulista Ana Paula fez questão de comparar o carinho do torcedor colorado com o dos seus conterrâneos e dos nordestinos. “Além de São Paulo, a torcida do Inter e do Nordeste sempre me recebe assim”, confessou, com leve sotaque de interiorana paulista. Pronto, é o suficiente para um colorado se sentir campeão da Libertadores. Uma beleza irretocável como aquela, exaltando nossa torcida... o jogo podia ter sido 3 a 1 pro Cruzeiro que os colorados iriam dormir igualmente felizes.

São desses títulos que o Inter se faz campeão; um clube humano e humilde, motivo do mais puro orgulho. Porque conquistar um campeonato é sensacional, mas efêmero como toda a alegria. Ser colorado é estar encantado pela felicidade de cada dia.

Os sorrisos deslumbrantes com que Ana Paula iluminava o Beira Rio eram comemorados como gols. Respeitando e aplaudindo, a torcida colorada reconheceu o grande trabalho de uma grande mulher. O gigante da Beira Rio se curvou para a dama de preto. Correndo pelo flanco do campo, Ana Paula deslocou o centro das atenções para o canto. Um olho na bola, outro na bela.

 P.S:

1-      1- Espero que nenhum colorado se ofenda com as generalizações que fiz.

2-      2- Espero que a Ana Paula volte em breve.

3-      3- Espero que ninguém me considere um tarado.

 


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