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UM OLHO NA BOLA, OUTRO NA BELA
Antes
de ler, é bom que os amigos saibam:
1-
Considero a Ana Paula a melhor bandeirinha do Brasil, em todos os aspectos.
2-
Considero o Inter o melhor clube do Brasil. Não em todos os aspectos.
3-
Considero futebol, mulher e rock’n’roll a trindade máxima da vida humana.
(Como assim?! E o cinema?)
Ser
torcedor do Inter sempre foi um orgulho inigualável, a despeito de eu fazer
parte de uma geração que só viu a conquista da Copa do Brasil de 1992 e um ótimo
desempenho no Brasileirão de 97 como momentos expressivos a nível nacional.
Apesar das frustrações e decepções, encho a boca com prazer para dizer que
sou colorado. Isso se dá, em parte, pelo fato de que o Inter é, na minha
consciência, muito mais do que um time de futebol. Os resultados não são o
mais importante na vida deste colorado, e de muitos outros, imagino. O Inter é
um ente, um astral, uma música, um modo de viver. Se, por um lado, não temos
um grande cartel de títulos recentes, temos a certeza de que o Inter é um
clube muito simpático e receptivo, o clube do povo do Rio Grande do Sul, como
diz o nosso hino.
Nesse
sentido, a vida de um colorado não fica restrita às quatro linhas. Temos
orgulho de nosso desempenho extra-campo, de nossa relação e comunicação com
tudo que vai além do futebol.
O
último fato ocorrido que me fez vibrar o coração colorado foi a recepção de
nossa calorosa torcida à bandeirinha Ana Paula da Silva, musa dos campos que
encantou o Beira Rio no jogo contra o Cruzeiro, dia 10 de outubro.
Lamentavelmente, perdi a oportunidade de fazer parte daquela massa vermelha que
teve o privilégio de vê-la em tão bela carne e osso. Mas a excitação em ver
Ana Paula sendo acolhida tão atenciosamente - e correspondendo igualmente –
pela massa colorada, mesmo que pela TV, me trouxe à tona aquele orgulho do qual
falava no início do texto. O êxtase apoteótico veio após o jogo, não só
pelo resultado de 3 a 1 contra os mineiros azuis, mas, principalmente, pela
entrevista concedida à reportagem da Band AM. Quando interrogada, já no seu
vestiário, a respeito da empolgante recepção que teve, a paulista Ana Paula
fez questão de comparar o carinho do torcedor colorado com o dos seus conterrâneos
e dos nordestinos. “Além de São Paulo, a torcida do Inter e do Nordeste
sempre me recebe assim”, confessou, com leve sotaque de interiorana paulista.
Pronto, é o suficiente para um colorado se sentir campeão da Libertadores. Uma
beleza irretocável como aquela, exaltando nossa torcida... o jogo podia ter
sido 3 a 1 pro Cruzeiro que os colorados iriam dormir igualmente felizes.
São
desses títulos que o Inter se faz campeão; um clube humano e humilde, motivo
do mais puro orgulho. Porque conquistar um campeonato é sensacional, mas efêmero
como toda a alegria. Ser colorado é estar encantado pela felicidade de cada
dia.
Os
sorrisos deslumbrantes com que Ana Paula iluminava o Beira Rio eram comemorados
como gols. Respeitando e aplaudindo, a torcida colorada reconheceu o grande
trabalho de uma grande mulher. O gigante da Beira Rio se curvou para a dama de
preto. Correndo pelo flanco do campo, Ana Paula deslocou o centro das atenções
para o canto. Um olho na bola, outro na bela.
P.S:
1- 1-
Espero que nenhum colorado se ofenda com as generalizações que fiz.
2- 2-
Espero que a Ana Paula volte em breve.
3- 3-
Espero que ninguém me considere um tarado.
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